O desprestígio da advocacia e dos advogados

Sobre a percepção pública da profissão, as causas dessa erosão e o que a própria advocacia pode fazer a respeito.
Há um incômodo recorrente entre advogados: o sentimento de que a profissão perdeu prestígio. O diagnóstico merece exame sereno, porque parte das causas é externa e parte é interna.
Causas externas
O aumento expressivo do número de bacharéis, a massificação do contencioso e a percepção de lentidão do Judiciário afetam a imagem de toda a cadeia. Some-se a isso a confusão frequente, no debate público, entre defender um acusado e concordar com o que lhe é imputado.
Causas internas
Também pesam práticas que a própria advocacia precisa enfrentar: promessas de resultado, mercantilização do serviço, captação irregular de clientela e uso da profissão como instrumento de exposição pessoal. Cada uma dessas condutas transfere para o conjunto o custo reputacional.
O que sustenta a confiança
A confiança se reconstrói por meio de elementos verificáveis:
- clareza sobre o que pode e o que não pode ser feito em cada caso;
- informação honesta sobre prazos e riscos, sem garantia de desfecho;
- respeito ao sigilo profissional, previsto no artigo 34 do Estatuto da OAB;
- técnica demonstrada no trabalho, e não anunciada em publicidade.
Uma responsabilidade compartilhada
A valorização da advocacia depende de atuação institucional das entidades de classe e da conduta individual de cada profissional. As duas dimensões são inseparáveis: normas sem prática cotidiana não produzem efeito, e prática sem norma não se sustenta ao longo do tempo.
Conteúdo de caráter informativo, publicado em 10 de julho de 2023. Não constitui orientação jurídica para casos concretos nem oferta de serviços.



